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POR QUE SERÁ QUE HÁ MUITA GENTE QUE CONFUNDE DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM COM DÉFICE DE ATENÇÃO E HIPERATIVIDADE?

Para começar, diremos que usar os termos Dificuldades de Aprendizagem ou Dificuldades de Aprendizagem Específicas é, pura e simplesmente, a mesma coisa, ao contrário do que alguns “especialistas” da nossa praça parecem fazer crer, ou seja, ambos os termos se referem a indivíduos cujas condições neurológicas se traduzem em problemas significativos na aquisição e uso da escuta, da fala, da leitura, da escrita e do raciocínio e aptidões matemáticas, dando lugar a condições consentâneas com as dificuldades específicas na leitura (dislexias), as dificuldades específicas na escrita (disgrafias) e as dificuldades específicas na matemática (discalculias).

No que concerne ao Défice de Atenção e Hiperatividade, também é bom que se perceba que os indivíduos identificados como sendo portadores de Défice de Atenção constituem um grupo heterogéneo que apresenta problemas graves de atenção e de impulsividade, embora muitos deles apresentem, ainda, níveis desapropriados de hiperatividade. Assim sendo, a literatura sobre o assunto usa com frequência os dois termos, perturbação por défice de atenção e perturbação por défice de atenção e hiperactividade. [1]

Embora o já aprovado Decreto-Lei, designado por “Regime Legal para a Inclusão Escolar” (RLIE), elimine, erradamente, a categorização, ela torna-se essencial uma vez que define um conjunto de características e de critérios absolutamente necessários à realização de investigação e à elaboração de programações educacionais eficazes. Permite, ainda, o estabelecimento de um diálogo profícuo entre profissionais de educação e pais. Numa palavra, a categorização não existe para rotular alunos, como nos querem fazer crer alguns “especialistas”, mas sim para contribuir para o seu sucesso académico e socioemocional.

Voltando ao assunto deste pequeno apontamento, Dificuldades de Aprendizagem e Défice de Atenção e Hiperatividade não são a mesma coisa. E não o são por várias razões:

  • Ambas se enquadram nas, pelo menos, 13 condições de necessidades especiais reconhecidas internacionalmente, embora o nosso país, com esta nova Lei, pareça querer ignorar este facto. Assim, a diferença está em que, num dos grupos considerados pelas muitas organizações internacionais, figuram as Dificuldades de Aprendizagem. Num outro grupo, “Problemas de Saúde”, figura a Perturbação do Défice de Atenção e Hiperatividade;
  • Ambas podem afetar a aprendizagem e, se as escolas estiverem a par das diferenças, podem elaborar respostas educacionais eficazes para ambos os grupos;
  • No caso das Dificuldades de Aprendizagem, os problemas estão muito mais relacionados com a aquisição de aptidões que se prendem com a leitura, a escrita e a matemática, ao passo que, no da Perturbação do Défice de Atenção e Hiperatividade, os problemas centram-se na atenção e no controlo de impulsos;
  • Embora sejam condições totalmente distintas, como afirmámos acima, em grande parte dos casos elas parecem coexistir, ou seja, de acordo com a investigação, cerca de 40 a 50% dos casos apresentam ambas as condições.

Pelo exposto, é importante que as escolas se apercebam destas diferenças para que os alunos que exibam uma destas condições, ou ambas, possam experimentar sucesso.

LMC

[1] Chama-se a atenção, particularmente da Sociedade Portuguesa de Défice de Atenção, para o facto de que esta condição deve ser designada por “Perturbação do Défice de Atenção e Hiperatividade” e não, por “Perturbação da Hiperatividade e Défice de Atenção”, como é conhecida no nosso país.